16 fevereiro, 2017

Encontro Botânico

Há pouco mais de dois meses um casal querido me proporcionou uma experiência bem mais especial do que eles imaginam. A Carol e o Jotta são os sócios, fundadores, donos e presidentes do incrível FLO – Atelier Botânico em São Paulo, espécie de oásis pros amantes da botânica chique, não-tradicional e com conteúdo. Porque, além de uma estética mais específica, ouso dizer que o público do FLO (for loves only ♥) tende pra uma interação um pouquinho mais profunda com o universo da natureza. É que a Carol e o Jotta não trabalham pra simplesmente decorar a nossa casa, a ideia vem muito mais embasada com o intuito de celebrar aspectos como o consumo consciente, a vontade do verde e os verdadeiros momentos. O espaço lindo que eles criaram na Vila Madalena tem uma curadoria que passa por livros, velas, vasos, ferramentas, pedras de tirar o fôlego e uma geladeira recheada das flores mais lindas e inusitadas já vistas nesse Brasil. Isso tudo, claro, sem esquecer do terceiro e mais importante membro da família: a musa Frida, buldogue mais maravilhosa de todas que também pode ser encontrada desfilando de coroa de flores pela loja.

Ou seja, quando a Carol mencionou a ideia de promovermos um evento no Atelier topei sem pensar duas vezes. A ideia de juntar amigas naquele ambiente mágico com comes, bebes e dicas florais me parecia a mais ideal das equações dentro do universo dos eventos (é que eu não sou muito fã de acontecimentos com essa terminologia – emoji revirando os olhinhos aqui). Então eu e Alline (amiga em comum com “os flo” and green lover) convidamos dez moçoilas (é que não conhecemos moços tão atraídos pela temática) para um denominado “brunch floral” de domingo.

Eu realmente não tinha ideia do carinho que aquela manhã representaria pra mim(e nem da desconstrução que aconteceria do meu conceito de que “eventos” não podem vir com emoção). De verdade, sem ser piegas. Não sei se vou conseguir ser exatamente clara aqui, mas sabe aquele sentimento raro (porém maravilhoso) de “pequenos momentos que te lembram da graça da vida”? Pois essa foi a minha sensação ao ver tantos rostos queridos em meio à celebração de um conceito que tanto acredito. Coisa de sentimento mesmo, difícil de explicar. É quase como se eu tivesse tido uma afirmação de que não estou doida ou sozinha em relação às minhas crenças. A gente comeu, bebeu, sorriu, lembrou do que importa e se jogou no mais lindo self service de flores que a Carol preparou com todo o carinho do mundo. Foi lindo, teve brilho e foi de verdade. Aí embaixo, alguns dos cliques capturados pela querida Karen Suehiro.

26 janeiro, 2017

Identidade Visual #unmatrimoniofelice por Atelier Terrarosa

Então voltemos ao assunto #unmatrimoniofelice! Não costumo ver (na verdade acho que nunca vi) uma abordagem completa sobre a identidade visual de um evento tão importante (e tão decorativo) como casamento. Ninguém conta pras noivas o quanto seria legal parar pra decidir com antecedência sobre a coerência de elementos que se farão tão nescessários ao longo daquele processo. Porque no início a gente não imagina mesmo que serão tantas coisas assim, mas deixa o tempo ir passando pra vocês verem. É um convite de chá de lingerie aqui, um folheto de informações acolá e quando paro pra pensar na desconexão estética que teria acontecido se eu e Marina não tivéssemos feito um trabalho prévio, fico até nervosa.

Consigo perceber o quanto esse processo foi pessoal e específico no meu caso mas, de verdade, nem consigo imaginar ter casado de outra forma. Acabou sendo, naturalmente, um dos poucos departamentos que toquei sozinha, sem a intermediação da minha assessoria. Se bem que, continuando com os meus botões (emoticon pensativo aqui), isso nunca teria sido possível se não fosse a amizade e sintonia que eu e a Marina desenvolvemos nos últimos anos.

Pra que eu não seja repetitiva, peço que aqueles que não sabem quem é a Marina (aka atelier terrarosa agora!), leiam o primeiro parágrafo do post que fiz sobre o casamento dela (só pra dar uma contextualizada). Leu? Então. Eu sempre soube que ela seria the one a me ajudar nesse setor. É impressionante como temos as mesma loucuras e excitações por detalhes e o quanto eu confio na qualidade do trabalho dela. Quando o bicho pegava e eu não conseguia acompanhar todos os passos de perto, ficava 100% tranquila sabendo o quanto aquele projeto estava nas melhores mãos.

Tudo começa bem no início. Antes mesmo de decidirmos o local (país!) em que casaríamos, levei a Marina pra conversar com a Edda (minha assessora amada da Boutique de Três). Nós colocamos uma data limite pra definição do lugar, contamos então o tempo de criação da Marina a partir do momento dessa escolha e montamos um cronograma de entrega que incluia Save the Date online, site pronto no ar, Save the Date impresso (agora com o endereço do site) e convite. Esse processo prévio de organização de datas é absolutamente primordial (ainda mais se tratando de um destination).

Sobre o processo criativo da Marina, tudo é muito único, completo e sob medida. Ela procura primeiro te entender de maneira bastante profunda, pra só depois entregar uma apresentação com moodboard, proposta de elementos, cartela de cores, tipografia e etc. No meu caso, tudo se desenvolve de maneira ainda mais fluida depois de tantos projetos juntas. O meu briefing quase sempre vem com essa vibe mais aconchegante, de coisa feita à mão, que é exatamente a identidade do trabalho dela. Aqui o resultado veio de uma combinação daquilo que eu gostava mais aquilo que achava coerente com a proposta do casamento. E assim tivemos Save the Date (dois diferentes), um site todo pensando nos mínimos detalhes afim de esclarecer toda e qualquer dúvida, convite, comunicativo de lista de presentes, convite de chá de lingerie, menu do jantar do dia anterior ao casamento, menu de drinks deixado nos bares no dia do casamento, folheto informativo pra quem estava no hotel do casamento, folheto informativo pra quem não estava no hotel do casamento, cartão de boas vindas, bordado na sandalinha de linho entregue na festa, desenho vetorizado pra ser impresso no pendrive que fazia parte do kit boas vindas and cartão de agradecimento. U-F-A! Agora me digam o que teria sido da minha vida OCD se eu tivesse todos esses itens feitos de forma aleatória, sem uma unidade visual? Socorro.

Semana passada essa amiga linda-e-talentosa postou uma foto dessas aí debaixo acompanhada de um texto que falava sobre o amor. Eu queria finalizar dizendo que toda essa beleza que ela imprime, tão facilmente identificada aos olhos, não existiria se não fosse tamanho o coração que ela coloca em tudo o que faz. Falando muito a verdade, é perto dessas pessoas que devemos escolher caminhar ao longo de nossas vidas. Ma, obrigada por tudo, sempre! ♥

19 janeiro, 2017

Despertando a Consciência

O primeiro post de 2017 se mostrou uma tarefa não muito fácil de se realizar. Foram muitas e muitas páginas rascunhadas pra chegar até aqui (a metáfora, tipo pra vida, também é verdadeira) e, relendo o primeiro post de 2016, me sinto orgulhosa de ter avançado em grande parte daquilo que busquei (além de especialmente realizada em relação à minha coerência: reescreveria tudo aquilo de novo apenas com algumas adições). Resolvi então encarar 2016 (o post e o ano) como uma introdução a 2017. Se no início do ano passado eu falava de forma abrangente sobre inspiração, motivação, priorização, foco, otimismo, volta às raízes e auto análise, hoje eu resolvi focar no último desses itens. Afinal, pelo menos pra mim, sem a tal da auto análise fica impossível de arrumar todo o resto.

Por aqui as indagações sempre existiram (tipo desde de criança #tenso) e com o passar do tempo elas só se tornaram mais fortes. Acho, por exemplo, uma doideira quando me deparo com pessoas que tem escrito na testa a ausência do auto questionamento. Logo volto a me questionar (há!): “como pode?!”. Faz como nos momentos de angústia e ausência de perspectivas? Faz como quando a vida empaca e a gente não sabe pra onde vai? Faz como quando o chão se abre? Mistério. Vai ver esses momentos não chegam ou pelo menos ainda não chegaram pra alguns. Só sei que viver no limbo, sem aprofundar, é uma escolha (quase sempre inconsciente) que te priva sim de sofrimentos, mas também te priva de muita coisa linda que a gente nem imagina que possa existir.

No meu caso, analisando aqui agora, enquanto 2015 foi um ano de muitas dores, 2016 não foi menos duro na auto missão de recolhimento dos caquinhos e reestruturação. Sabe, dependendo do que a gente passa, não rola de voltar pra vida como se nada tivesse acontecido. Ou a gente cuida de si pra se organizar e ficar mais forte, ou uma hora a conta chega, tornando quase impossível a tarefa de se livrar daquele peso que pode acabar por nos consumir.

Se tem uma coisa que vou levar comigo do ano que passou, é a iluminadora experiência de pela primeira vez ter mergulhado profundamente em mim mesma. Acho que esse wow moment onde tudo parece ficar mais claro e a visão muito mais ampla vem por meios e em fases diferentes pra cada um daqueles que tem o privilégio de vivê-lo. O que, na minha humilde opinião, existe como denominador comum entre todos os seres humanos que o vivenciam é a sensação de paz, calma e leveza como resultado desse despertar da consciência. Comigo, tudo começou quando fui parar numa nova psicóloga (foram muitas as diferentes tentativas ao longo dos últimos anos). Nem me pergunte como esses encontros acontecem, só sei que acredito bastante em energia e não acho nem um pouco que o meu caminho cruzou com o dessa pessoa por acaso. Talvez, em qualquer outro tempo ou espaço essa conexão não teria acontecido de forma tão bonita. Precisamos estar abertos pras coisas boas entrarem nas nossas vidas.

Comecei até a compreender melhor sobre a relação do homem com a religião. Sobre o porque de algumas pessoas virarem gurus de outras. A porta que me foi aberta pro auto conhecimento é realmente transformadora. Entendi o quanto passei a vida responsabilizando os outros pelas minhas questões. Tipo real. Tipo real mesmo. E por mais que isso possa parecer muito comum, quase óbvio, eu te digo que não é. Te digo que o negócio tá muito mais no fundo do que conseguimos imaginar. Te digo que mesmo quando achava que não estava responsabilizando ninguém, na verdade eu estava. Te digo que eu já tinha (ainda tenho, tá?) mil mecanismos de defesas prontos pra me “proteger” da realidade. E olha que eu sempre me achei “de olho em mim mesma”, hein. Me lembro do filme Inception (!!!) onde se usa as várias camadas que um sonho pode ter dentro do outro afim de ilustrar a complexidade do nosso inconsciente. É tipo por aí, difícil pra caramba.

Então, basicamente, o ano passado foi o ano em que percebi que estava indo pelo caminho errado. Foi o ano que eu trombei com uma pessoa que conseguiu me mostrar de forma efetiva o quanto eu sou a real responsável pela minha vida (é lógico que me dou muito crédito nesse movimento, mas negar o quanto venho sendo ajudada seria um grande erro) e, de verdade, isso muda absolutamente tudo! Percebi que o outro funciona como um espelho pra gente e que quanto maior é o vínculo emocional, maior são as nossas projeções daquilo que ainda não foi devidamente identificado e elaborado dentro de nós. Percebi que o outro não tem o poder de nos perturbar, e que somos nós que nos perturbamos por conta das nossas próprias reações diante dos aspectos difíceis de lidar que a outra pessoa está trazendo (tem que concentrar, eu sei). Percebi que nos auto sabotamos na crença de que a felicidade vem de fora. Percebi a razão da dificuldade de relações saudáveis e harmoniosas. Percebi que independente dos defeitos do outro, quando nos perturbamos com algo que outra pessoa faz, a hora é de olharmos pra nós mesmos e identificarmos a real questão.

Aos poucos, tenho começado a experimentar um sentimento positivo, de quem acredita num mundo melhor e tem fé nas pessoas. Esse estado de percepção mais ampliada abre espaço pra uma espiritualidade incubada se aflorar, resgatando o que há de mais profundo e importante dentro da gente. Tenho cada vez mais noção do tamanho do caminho que ainda tenho a percorrer, mas sinto estar dando passagem a uma nova visão, uma nova forma de olhar o mundo e me relacionar. Passei a mais do que nunca sentir um anseio por fazer o bem e sei, inclusive, que a determinação pra escrever esse post veio desse novo sentimento. Acredito mesmo que quando nos colocamos vulneráveis nos livramos de pequenas fraquezas, por assim dizer.

Hoje, mais do que nunca, acredito no meu poder de fazer a diferença. Não porque eu tenho esse poder, mas porque todos nós temos esse poder. O poder de nos tratarmos bem e refletir esse tratamento pro mundo. Todos nós precisamos despertar pra lembrança de quem somos e o que viemos fazer aqui. Se eu não aguento mais ver tanto ódio, descriminação e injustiça, o melhor que posso fazer é dar o exemplo do contrário na minha própria vida. To become the message, to be the thing you wish to see in the world. Porque saber responder o ruim com o bom é uma das maiores sabedorias do homem e, como diria uma amiga muito especial “quando as coisas são feitas tendo o amor como base, é só amor que essa coisa carrega”. Feliz ano novo, pessoal!

Agradecimento especial ao pessoal do Torra Clara por me deixar registrar esse espaço tão gostoso e à linda da Nicole por ser tão querida na hora de tirar as minhas fotos.

10 novembro, 2016

Garance Doré on compassion

I don’t think at any point I had pictured this could happen. Maybe I watch too many American movies with a happy ending. Last night, Chris and I didn’t know what to do. He was pacing, I was curled under the sheets, unable to sleep but wanting desperately to wake up to a brighter day. Then I heard Chris in the middle of the night. That’s it, he won, he said. In my sleep, my heart ripped apart. 

My vision of a progressive world, where women and men are finally equals, where racism is a thing of the past, where people of all color and religion and sexual orientation come together in a respectful way, where we work together to change a world and make it a place of healing, of care and attention for others and for our poor planet, that vision just broke down in million pieces at my feet.

What did people say yesterday? That they are afraid. I have a few people in my life that vote for Trump. Or Le Pen, in France. I didn’t chose them to be like that, but they are and I listen to them. They’re not the devil. They’re good people. I swear they’re good people! What they feel is powerless. They feel forgotten. They feel like they’ve given everything for a system that left them lacking, poor, empty. They’ve been made to believe the answer is force, ejection, walls.

And why had I not imagined this could happen? Because I live behind closed walls too. The walls of my life, of my social media feeds, catered by me for me with the help of crazy algorithms that make it almost impossible to get a wider view of the world, presenting to me a landscape that conforms to my beliefs…But that is an absolute illusion.

And today, it’s time to wake up from the dream. These people I know, nothing I’ll say will make them change. There is only one thing to do. Keep loving them. And live and act on my beliefs like I’ve never done before. If fear prompted that disaster, then let’s not be fearful. Lets stop building walls. Let’s look at each other and not fear the truth. Let’s cultivate hope, care, compassion, and responsibility. Let’s look around us and take each other’s hands. Let’s inspire and forgive. Let’s hope for an American movie happy ending, soon, soon enough.

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