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7 de maio de 2017Lifestyle

Ett Hem, Scandinavia e filosofias de vida

Depois de quase nove anos de relacionamento, posso dizer que eu e Fernando já viajamos muito! E quando eu digo muito, é muito do nível de ter chegado um momento onde fomos praticamente obrigados a rever essa intensidade. Diante do constante cansaço e correria presente em nossas rotinas, decidimos por uma menor frequência aliada a períodos muito mais longos e planejados fora do país. Pra gente, essa foi a fórmula perfeita na hora de nos aproximarmos do tão almejado equilíbrio. Na verdade, temos conseguido fazer bem menos de tudo, ao mesmo tempo em que buscamos mais calma e presença naquilo em que nos comprometemos, uma das melhores mudanças que já conseguimos implementar em nossas vidas. De qualquer forma, quando me falavam que a nossa lua de mel seria a viagem mais incrível de nossas vidas eu, agora posso dizer, não levava aquela história muito a sério. A competição era alta demais! Fizemos viagens lindas no início do nosso namoro e muita coisa boa já tinha nos acontecido nesse quesito. Logicamente, não preciso nem dizer que queimei a minha língua, né? A nossa lua de mel foi mágica num outro nível, por motivos muitíssimo profundos e, falando um pouco dessa viagem, tem um lugar específico do qual preciso falar pra vocês!

Pra começar, vale dizer que embarquei pra Toscana no meu maior momento de valorização das ‘coisas que realmente importam na vida’. Não por acaso, todo o frenesi que envolve a preparação de um casamento fez com que eu sentisse uma necessidade incontrolável de parar para olhar pra dentro de mim. Depois de ter me envolvido na parte logística do evento de forma tão intensa, percebi que se eu não pausasse tudo e revisse a principal razão de estarmos fazendo aquilo, nada realmente faria sentido. No fim, munida de bastante foco, encontrei o meu marido no altar com um sentimento de calma, coração preenchido e 100% consciente de todos os motivos que me levaram até lá. Sempre que alguém me pergunta sobre essa “temática casamenteira”, tento focar na importância desse tão essencial estado leve e consciente de espírito. Acho fundamental ressaltar o quanto é fácil se perder no processo e o quanto essa linha é tênue e perigosa.

Muito bem. Pois foi nesse contexto de leveza e reconexão que cheguei, sem ter ideia do que me esperava, à maravilhosa Scandinavia. Esteta que sou, tinha certeza de que o meu maior deleite local seria relacionado ao incrível universo visual que aquele povo foi capaz de construir mas, só de se aproximar um pouquinho, logo compreendi que a tão famosa estética da região nada mais era do que uma clara representação dos incríveis princípios de vida daquela gente. De repente, tudo passou a fazer total sentido. Essa rara coesão entre o plano filosófico e o plano prático traz conteúdo para as menores coisas e alento pra mais questionadora das almas (mãozinha pra cima aqui!). Meu coração, em sua eterna busca por coerência, simplesmente se derreteu de amores por aquele lugar.

Já não é mais nenhum segredo o quanto levo todo esse universo living-com-conteúdo à sério e sou adepta da filosofia de que o ambiente a nossa volta tem enorme poder e influência em nossas vidas. Dou grande importância ao assunto e, questões como a melhor forma de tecer as coisas importantes da vida pra dentro do entorno de forma harmônica, íntima e generosa, são constantes em minha rotina. Como não cair na armadilha de colocar o design num pedestal e não perder a noção do espaço como instrumento para prosperar? Os dinamarqueses tem uma palavra específica pra essa forma de encarar a vida: hygge  significa, basicamente, esse approach em relação à elevação do cotidiano, à atenção aos pequenos detalhes e à noção de que são os momentos do dia-a-dia que dão forma, significado e profundidade às nossas vidas.

O Ett Hem é a materialização de todas essas ideias reunidas e um pouco mais. Apesar da decoração de cair o queixo, o gesto ali não é estético e sim focado na experiência. É como se fossemos hóspedes do amigo mais atencioso e de maior bom gosto que já existiu! O conceito é mesmo o de um hotel que funciona como uma casa em todos os aspectos. Não existe restaurante, bar ou divisão entre a parte de trás e a frente do terreno. Os hóspedes podem cozinhar junto ao chef na cozinha ou abrir a geladeira e comer quando e onde tiverem vontade. Todas as dimensões tradicionais de um hotel foram retiradas para que o conforto venha na frente de qualquer formalidade. O senso de luxo vem de uma determinante obsessão aos mínimos detalhes: alturas, profundidades, iluminação, materiais, nada foi deixado ao acaso. O serviço e as acomodações foram pensadas com a finalidade de dar suporte a qualquer tipo de eventualidade para que ninguém precise pensar em nada. Tudo já foi antecipado de forma generosa para que nada seja imposto ou pareça desconfortável. Como o arquiteto David Chipperfield disse “Buildings don’t change life, but they do make rituals more enjoyable”.

No final das contas, a constante combinação de simplicidade e despretensão a um altíssimo nível de qualidade em tudo o que se propõem foi, sem dúvida, a característica mais marcante dessa nossa viagem. Quase todos os funcionários que encontramos pelo caminho pareciam grandes entusiastas do ramo em que trabalhavam, trazendo um caráter absolutamente igualitário e significativo para a conexão com o cliente. No Ett Hem, as necessidades das pessoas que ali trabalham são tão consideradas como as dos hóspedes, o conceito é o de que todos se beneficiam com um staff feliz ao mesmo tempo que uma cultura de respeito é estabelecida. Pra gente, todas essas novas perspectivas de acessibilidade, sustentabilidade, proximidade e civilidade, definitivamente, causaram um grande (e ótimo!) reboliço nas nossas cabeças tão acostumadas a contextos cheios de limitações. Espero ter conseguido passar um pouquinho dos tantos motivos pelos quais essa imersão cultural nos foi tão transformadora. Abaixo, algumas imagens do primoroso trabalho da Ilse Crawford (fofoca para os interessados: ela estava no hotel exatamente no dia do nosso check in filmando o seu capítulo da série Abstract: The Art of Design, já disponível no Netflix!)!

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  1. Raquel, 7 de maio de 2017 - 21:01

    Oi Gabriela, no parágrafo “No final das contas, a constante combinação de simplicidade e despretensão à um altíssimo nível de qualidade em tudo o que se propõem foi, sem dúvida, a característica mais marcante dessa nossa viagem.”, aquele “a” não leva crase. Sei que não é importante, mas como vc parece bastante perfeccionista achei válido avisar 🙂

    Lindo blog!

    *ps: favor não publicar esse comment 🙂

    • Gabriella Magalhães, 8 de maio de 2017 - 7:59

      Não leva mesmo, Raquel! A gente revisa mas sempre tem uma coisinha que passa. E não tem porque não publicar haha, ajudas são sempre bem vindas. Super obrigada! 😉

  2. Laura, 8 de maio de 2017 - 12:14

    Que lindo texto Gabi ! Estou na fase de organização do meu casamento, e este texto foi uma “cutucada” grande viu ? Acho que estou me perdendo no meio de tantas decisões, pagamentos, organização…Talvez esteja na hora de rever um pouco ! Obrigada !!!

    • Gabriella Magalhães, 8 de maio de 2017 - 14:57

      Laura, que bom saber que pude contribuir um pouquinho pra essa “cutucada”. De verdade, foca em estar em sintonia com o seu noivo e seus sentimentos. No final, o que vai trazer boas memórias pra esse dia é o seu estado de espírito. Que o seu dia seja lindo! ♥

  3. Lydia Helena Alves, 9 de maio de 2017 - 20:23

    Sempre vi a delicadeza do simples combinado com bom gosto de forma mais tocante que qualquer ostentação. Esse é o verdadeiro luxo!! Fico muito feliz com a qualidade do texto e do conteúdo, e muito orgulhosa de ter ajudado a construir um ser pensante e atento não só ao entorno, mas também ao seu interior. Muito bom, filha!! Muito bom!

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