27 de março de 2015Lifestyle

#maethicasorio

Quem me segue no insta já deve ter ido parar no perfil da Marina também. A gente se conheceu por lá mesmo (God bless Instagram!), quando eu me apaixonei pelas ilustrações que ela postava e decidi que queria aquelas belezuras aqui no Bedside. Depois de algumas semana fazendo a stalker maluca, decidi mandar um e-mail pra ela contando um pouquinho de mim, do blog, de como eu estava encantanda pelo o trabalho dela, e a partir daí o resto é história, rs. Descobri que além de ilustradora, a Ma era designer de mão cheia (do tipo que tem o gosto MUITO parecido com o meu) e, em poucos dias, decidi que ela seria responsável por toda a identidade visual do Bedside. Acho que a nossa relação foi uma coisa meio amor à primeira vista das amizades femininas, rs. Todas as nossas reuniões eram preenchidas pelos assuntos mais diversos, e só nos lembrávamos que estávamos ali pra decidir alguma coisa do projeto dois minutos antes de ir embora. O mais louco? No final deu tudo certo, o processo foi uma delícia, e eu não poderia ter ficado mais satisfeita com o resultado.

Uma das pautas mais recorrentes nos nossos cafezinhos com bolinhos (somos meio vovós) era o casamento dela que estava pra acontecer naquele mesmo ano e, como eu previa, seria o mais DIY e verdadeiro do universo. A combinação era realmente explosiva: uma noiva esteta, designer, detalhista, que sabe o que quer e normalmente consegue fazer muito melhor (e pela metade do preço) dos fornecedores. A verdade é que eu já tinha pedido esse post pra ela antes mesmo do casamento acontecer, rs. Mas além de toda essa parte estética que a gente ama, eu também queria muito focar na visão tão parecida que temos sobre o conceito do casamento. Conversávamos muito sobre relacionamentos e como vemos todo mundo casar igual (e pelos motivos errados). Como as pessoas seguem “uma receita de bolo”, como não se questionam, e como, definitivamente, esquecem o real sentido dessa celebração. Mandei umas perguntas pra Marina responder e a minha idéia inicial era editá-las em forma de texto, mas as duas românticas aqui gostam tanto do assunto que ela escreveu à beça e eu fiquei morrendo de pena de tirar qualquer coisa. Ficou giga (pra variar), mas tá valendo a pena e eu espero que vocês gostem!

1 – Quero começar pela parte mais importante de todas: me conta um pouquinho sobre o que você pensa do amor e de uma relação a dois.

Ui ui ui, que difícil! Mas vou tentar falar de amor do jeito que eu conheço, ou seja, através da minha relação com o Thiago. A gente não tem uma história de amor óbvia – pelo contrário, nosso amor, desde que nos conhecemos na adolescência, foi meio aos trancos e barrancos. Acho que foi um amor que existiu desde sempre, mas que a gente foi descobrindo que estava lá, e o quanto ela era forte, com o passar dos anos. No final das contas, foi este amor que nos fez sempre voltar um para o outro. Não teve distância, não teve tempo, não teve dificuldade ou briga que nos fizesse desistir, mesmo quando a gente achava que nunca mais ia se ver. Foi nosso amor pueril que nos uniu na adolescência; foi nosso amor que nos fez manter contato mesmo quando o Thiago se mudou pra outro país; foi nosso amor que nos reaproximou definitivamente (depois de não nos falarmos por dois anos por conta de uma briga boba por telefone); foi nosso amor que me fez jogar tudo pro alto pra ir morar na França com ele; e foi nosso amor, apenas o amor, que nos fez superar não só o fato de ficarmos dez meses longe, mas também a crise séria que veio em seguida quando voltamos a morar na mesma cidade e país.

E hoje eu posso dizer com certeza que é o amor que permeia nosso dia-a-dia de marido e mulher, pois sem ele tudo ficaria sem sentido. Uma vez, antes de me casar, uma amiga me perguntou como eu sabia que o Thiago era “o cara”. Como eu podia ter tanta certeza de que queria estar com ele. Respondi que era uma certeza tão forte e tão grande, e ao mesmo tempo tão serena, que não tinha nem explicação. Pra mim essa certeza é o amor: a gente não explica, apenas sente. É aquela rocha sólida e imutável dentro da gente, maior do que qualquer defeito, briga, desentendimento, distância ou falta de paciência que possa surgir. Ele está e sempre esteve lá, dentro de nós dois — e faz com que a gente esteja juntos até hoje.

2 – Focando numa idéia mais ampla e filosófica, o que você sabia que queria e não queria logo quando começou a pensar no assunto?

Nós tivemos uma certeza desde o início: queríamos um casamento que não virasse um problema. Era a nossa festa e não a dos outros. Nossa filosofia era que a gente não “tinha que” nada. Tem que ter bolo? Não. Tem que ter primeira dança dos noivos? Não. E assim analisamos cada elemento, um por um, e nos questionamos se tinha a ver com a gente. O que não fazia sentido para os dois, a gente simplesmente descartava, sem apego a tradições vazias e sem propósito. Isso era muito importante para os dois, e principalmente para o Thiago, que é um cara que questiona tudo! Tenho certeza que foi isso que trouxe identidade para a nossa cerimônia e para nossa festa – cada detalhe foi pensado com cuidado e carinho, e não decidido no automático. E olha que isso é uma missão quase impossível, por conta dos milhões de palpites que vem de todos os lados. De amigos, de estranhos, e principalmente da indústria do casamento. É complicado porque hoje em dia parece que até os casamentos menos tradicionais já estão cheios de regras. Mas vale muito à pena ser teimosa e não se render à nenhuma delas!

3 – Conta um pouco sobre o seu processo de pesquisa em relação à parte estética e como seu look entrou nesse contexto.

Confesso que quando fui pedida em casamento, a pastinha “weddings” do Pinterest já estava bombando há tempos, rs! Mas era mais um apanhado geral de tudo que me agradava do que algo mais focado. Como eu sou a metade criativa do casal, assim que o pedido foi oficializado, eu fui atrás de inspirações mais concretas que depois apresentei para o noivo, para que ele aprovasse. Minha preocupação sempre foi a de não fazer um casamento “girly”, já que o Thiago também é bem ligado na estética das coisas, apesar de não trabalhar com isso. Ou seja, tudo rosa, ou cheio de florzinhas, nem pensar! Por isso acabei indo para uma linha mais industrial e sóbria, com cores escuras, mas misturada com uma vibe boho/chic/decadente. Sou apaixonada por Art Nouveau e tudo relacionado à Belle Époque. Nossa cartela de cores era bem densa: vinho escuro, dourado, preto e branco (que depois se transformaram em listras, outra paixão). Todo esse conceito estético veio através de pesquisas e mais pesquisas no Pinterest e em sites especializados, até a hora em que comecei a perceber um padrão nas imagens que mais me chamavam a atenção, e assim tudo foi se encaixando.

É engraçado que, por conta do meu background na moda, a primeira coisa que me perguntavam era ‘é você quem está desenhando seu vestido?‘. E a resposta foi ‘não‘, desde sempre. A única possibilidade disso acontecer seria se minha avó, costureira de mão cheia e famosa pelas noivas, executasse minha ideia. Como o fato dela morar muito longe impossibilitava a tarefa, tratei de sair em busca de fornecedores que tivessem a ver com meu estilo. Eu sabia o que queria: algo simples, com alguns detalhes de renda, não muito aberto (nada de tomara que caia ou alcinha) mas com um decote de tirar o folêgo nas costas, já que era um dos pedidos do noivo (à quem eu também dei o direito de escolher a cor do esmalte, do batom e o perfume). Todos os meus desejos em relação ao vestido foram realizados quando conheci a Gisele e a Kiki, a dupla por trás da Nouveau. O modelo que escolhi foi paixão à primeira prova. Era como se a Gisele (Nasser, a estilista) tivesse lido meus pensamentos: ele tinha uma ar vintage na medida certa, uma renda super diferente das que estava acostumada a ver, e a cor de seda pura (um branco perolado quase rosado) maravilhosa. Não poderia ser outro, ainda mais pelo fato do trabalho delas ser tão coerente com tudo o que eu valorizo e acredito – manual, cuidadoso e cheio de atenção aos detalhes. Cada prova era uma delícia, e elas foram muito especiais durante todo o processo. Foi e será pra sempre o vestido mais lindo que já usei!

4 – Agora quero saber sobre a sua decisão de participar tão ativamente de tantas etapas que costumam ser terceirizadas, da inclusão dos padrinhos nesse processo, e do fato (lindo!) do seu pai ter sido o escolhido pra conduzir a cerimônia.

A decisão de fazer muitas coisas do nosso casamento sem ajuda de fornecedores aconteceu por vários motivos e fatores. O primeiro é que eu sempre amei um DIY, é algo que faz parte do meu dia-a-dia, então era natural que seguisse esse caminho – porque seria não só um prazer imenso, mas também porque eu queria colocar sentido e carinho em tudo que pudesse! Além disso, como autônoma, tinha uma flexibilidade de tempo que muitas noivas acabam não tendo. Aliás, não só eu tinha esta flexibilidade, como também minha maior aliada, a minha mãe, tinha acabado de se aposentar e estava tranquila pra poder me ajudar. Confesso que outro fator importante foi também o fato de eu ser muito um pouco controladora. Não no sentido de noiva louca, mas sou bem exigente com detalhes que ninguém mais vê. Então quando me vi na situação de não achar fornecedores/produtos que satisfaziam minhas expectativas, a solução foi arregaçar as mangas e colocar a mão na massa para sair tudo do jeitinho que eu queria. E por último, casar não é nem de longe barato, então foi a melhor união do útil ao agradável, pois consegui economizar muito, e ao mesmo tempo estava feliz da vida fazendo tudo com carinho.

A escolha dos nossos padrinhos também seguiu a filosofia de que não “tem que” nada. O importante pra gente era ter as pessoas amadas ao nosso lado, e ponto. Tanto que não nos limitamos à casais, foi uma mistura: casais onde a mulher era minha madrinha e o respectivo marido era padrinho do noivo; casais em que ambos eram padrinhos do noivo ou da noiva; e também amigos e amigas sozinhos, sem casal. Do meu lado a escolha foi bem natural, mas para o Thiago foi mais difícil (por ele, todos os amigos seriam padrinhos!). No final da escolha, ele estava triste pois já estávamos com os números certos de cada lado mas ele ainda tinha um casal que queria muito chamar. Minha reação foi: e quem disse que isso é um problema? Vamos deixar este amigo do coração de fora por pura simetria no altar? Nem pensar. Claro que, como aconteceu com todas as escolhas, o que vem de coração é mais gostoso, então nossos padrinhos e madrinhas foram nossos maiores companheiros. Minhas madrinhas foram simplesmente incríveis: organizaram os melhores eventos pré-casamento ever (minha despedida de solteira não será jamais esquecida por nenhuma de nós), e também participaram ativamente do grande dia. Uma delas foi quem fez meu make e cabelo, a amiga de infância do noivo foi a responsável pelos docinhos do casamento, e outros quatro amigos participaram da cerimônia, dizendo palavras que nunca vamos esquecer.

A cerimônia ser conduzida pelo meu pai também foi uma decisão muito natural. Sabíamos que queríamos algo especial, com palavras que fossem verdadeiras, que contassem nossa história com significado e sentido. E meu pai sempre foi o cara que tem o dom da fala – no meio de uma conversa qualquer ele é capaz de falar coisas que mudam a sua vida pra sempre. Então o convite foi feito e ele aceitou (apesar de ficar super ansioso, claro, afinal ser pai da noiva e celebrante não é tarefa fácil). Ele contou nossa história com muito amor, leveza e sinceridade e abençoou nossa união como ninguém mais poderia ter feito. A energia do momento foi tamanha, que depois, ao cumprimentar os convidados, perdemos as contas de quantas pessoas nos disseram que havia sido o casamento mais emocionante que presenciaram na vida. E pra mim, ter meu pai na minha frente naquele momento, foi uma emoção até hoje difícil de explicar.

5 – Por último, conta pra gente o que mais te marcou, o que foi mais especial e qual a melhor decisão que você tomou.

O que mais me marcou foi sem dúvida a energia incrível e a quantidade de amor e carinho que recebemos. Nunca vou esquecer a sensação do dia seguinte. A gente não conseguia acreditar na festa linda que tinha acontecido, e ficamos meio que “anestesiados” de tanta felicidade por semanas, sem brincadeira. Era uma sensação de que foi tão lindo que só podia ser sonho, sabe? Passou rápido, quando a gente vê a festa já está acabando. Mas foram, sem dúvida, as sete horas mais especiais da minha vida.

Sobre a melhor decisão que tomei, poderia falar mil coisas, mas acho que uma em especial fez bastante diferença no dia. Minha ideia inicial era de eu mesma arrumar a decoração no grande dia. Sim, maluca né? E só hoje entendo a cara de espanto quando falava dessa intenção para as pessoas. A melhor coisa que fiz foi pedir ajuda para uma amiga que já mexia com decoração de casamentos, e me apresentou para as fadas madrinhas Camila e Leni, duas queridas que me possibilitaram ter o dia tranquilo que toda noiva merece e ainda executaram com perfeição tudo o que eu tinha planejado. Imagina a noiva pendurando bandeirolas duas horas antes do casório? Teria sido um desastre e serei eternamente grata à elas!

E o que teve de mais especial? Acho que o mais especial de tudo foi a história que eu e o Thiago construímos ao longo de 15 anos, e que culminou no dia 24 de agosto de 2014. Imagina a nossa emoção? Depois de tanta coisa que passamos, quando olhei pra ele no altar, quase não acreditava que eu ia me casar com aquele menino que conheci aos 12 anos, sob o olhar de tanta gente que, ainda por cima, presenciou e participou de toda essa história. Acho que nada foi mais especial que isso, e até hoje quando olhamos pra trás a gente custa a acreditar que viramos finalmente e oficialmente companheiros pra vida. ♥

* todas essas fotos lindas são da Flavia Valsani *

• thought you might also like •

  1. Antonia c, 27 de março de 2015 - 17:10

    Ameii! Incrivel

  2. Laura, 29 de março de 2015 - 11:15

    que lindo post! emocionante! lindo ser conduzido pelo pai dela! vi no seu instagram que vc mudou para nyc e vc comentou um tempo atrás que estava noiva … vc terminou o noivado e seguiu em frente? beijo

    • Gabriella Magalhães, 30 de março de 2015 - 14:40

      Oi querida, esse casamento foi mesmo muito emocionante! Respondendo a sua pergunta, infelizmente me separei sim. Vim passar só uma temporada por aqui em NYC e no meio do ano já estou de volta em terras cariocas 😉

  3. Mari, 31 de março de 2015 - 23:21

    Oi Gabi, adorei essa entrevista. Fiz meu casamento igualzinho, sem regras, sem “tem que”. Ao final todos nossos convidados falaram que conseguiram ver nossas historia e nossa felicidade na maneira como programamos e organizamos tudo. Pra mim isso foi o a cereja no bolo de um dia especial que vai ficar guardado na memoria.
    Gosto muito do seu blog e das suas fotos no Instagram. Moro em NY tambem, espero um dia te encontrar por aqui. Bj

    • Gabriella Magalhães, 1 de abril de 2015 - 2:40

      Oi Mari! É muito legal ver que outras pessoas também se identificam com as mesmas ideias e “correm contra a maré” por aí. Não tenho dúvida do quão especial foi o seu casamento. E que delícia de elogios! Comenta lá no insta também, assim quando nos esbarrarmos eu também vou poder te reconhecer! 🙂

Leave a note

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *