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21 de março de 2019Outros

Maternidade com Monica Benini

Em tempos de tanta obscuridade na internet a Monica é uma doce lembrança da beleza que as redes sociais podem proporcionar. A gente se seguia, foi chegando mais perto, marcamos um café, mantivemos o contato, engravidamos com cinco semanas de diferença e, quando me vi perdida com um recém nascido no colo, ela se tornou grande protagonista da minha rede de apoio. Talvez por ter podido, em seu processo pessoal, transitar de forma mais leve do que eu em meio à tantas mudanças, talvez por ter sabiamente conseguido acolher os pesos da transformação de forma mais orgânica, nossas conversas, ainda hoje, me trazem o acalento da descomplicação, tantas vezes perdida na maternidade. Achei então que nada mais justo do que dividir um pouco dessa inspiração com outras mulheres que, com certeza, também se beneficiarão dessa presença. Recomendo que leiam devagarinho, retribuindo a presença e intenção sentidas em cada frase que essa amiga querida se prontificou a nos escrever. Aproveitem!

Eu costumo sentir uma certa dificuldade de aceitação e, por muitas vezes, até mesmo reprovação por parte das pessoas à minha volta quando opto por um caminho fora do convencional no meu maternar. Você teve parto domiciliar, usa fraldas de pano, não teve babá e fez uso da cama compartilhada por muito tempo – apesar de bastante segura, tem momentos em que se sente “abandonada” na missão de ouvir o seu instinto nessa tão solitária jornada? Acho praticamente impossível passarmos por uma jornada tão nova e trilhar um caminho pelo, até então, desconhecido sem sentir um pouquinho desse abandono. Isso sem nem considerar as escolhas que forem feitas. A maternidade traz uma sensação de solidão, quase inerente no início, mas que vai se descortinando aos poucos, a medida que as coisas vão ficando mais claras. É claro que fazer escolhas diferentes da maioria pode intensificar esse sentimento. Por isso, acredito que seja essencial estar 100% alinhado à sua essência e aos seus valores e trazer consigo a certeza de que ninguém melhor que os pais daquele bebê pra saberem o que é melhor pra ele.

Me fala um pouquinho sobre o seu puerpério. Eu me senti, durante bem mais de 45/60 dias, muito desconectada de mim mesma. Você também passou por esse processo? Como foi pra você? Foi bastante intenso e sensível. Tive uma gestação muito tranquila e estava certa de que meu puerpério também seria assim. Pobre de mim, rs. Puerpério existe mesmo e ele é, na maior parte das vezes, analisado sem a importância que merece. Meus dias (acho que durou em torno de 60 dias), oscilavam entre alegria e tristeza, momentos de riso e de choro, que chegavam sem explicação alguma. Questionava o porque de tudo em minha vida e, na verdade, acho até difícil colocar o que sentia em palavras. Lembro de em determinados momentos ter certeza de que tudo estava certo e, em outros, a certeza de que tudo estava errado. Tudo. Uma gangorra de emoções extremamente intensa, somada ao fato de ter em minha vida um serzinho totalmente novo, desconhecido e dependente de mim. Chorava de amor…e algumas vezes de dor. No meio de toda essa bagunça, tenho a certeza de que uma das coisas que mais nos fortalecem é ter ao nosso lado um parceiro sensível, paciente e companheiro. Que entenda a complexidade do nosso processo e nos acolha da forma mais amável que puder.

Já sentiu uma insegurança, um gostinho ruim sobre algum tópico relacionado a maternidade? Se sim, como seguiu o processo de tentativa de superação? Insegurança nos visita o tempo todo, não é mesmo? O tempo todo precisamos tomar decisões sobre coisas que não temos prática alguma. Decisões a respeito de novidades, o que não é nada fácil. Pra mim, o essencial é buscar sempre reconectar-se com a própria essência, com o instinto materno que deve ser nosso guia e nossa força motriz, assim tudo que parece ser nebuloso fica claro e mais fácil de se lidar.

Você foi minha grande inspiração na coragem pela decisão de passar um tempo sem babá e queria que você dividisse um pouco da sua experiência nesse assunto. Como funcionou pra você nos primeiros meses e como tem rolado agora que ela já está mais grandinho? Com quem você divide as tarefas, como tem gostado de administrar o tempo ao longo do dia e o que não abre mão de ser você a fazer com o Otto? Você nem imagina o quão feliz eu fico por saber que fiz parte desse seu processo. Felicidade real <3 Antes mesmo de o Otto nascer eu já sabia que não gostaria de ajuda, principalmente no início. Vivemos longe das nossas famílias e, caso optasse por ajuda, ela acabaria vindo de terceiros. Nada contra quem opta por esse caminho, ele apenas não fazia muito sentido pra mim. Eu queria viver por completo, me conectar por completo com o Otto e, na nossa realidade, estar integralmente com ele fazia parte desse processo. Aprender na marra a cuidar de um bebezinho totalmente indefeso criaria “casca’, eu acreditava. Sorte a minha de estar certa. A dinâmica com um recém nascido é muito diferente da dinâmica com um bebezinho maior. Nos primeiros meses, mergulhei completamente naquele novo universo, nem recebemos muitas visitas, porque era essa nossa vontade. Vivíamos nós três nos descobrindo mutuamente. Foi intenso, cansativo e lindo. O tempo passou e o bebezinho deu espaço à um menininho cheio de vontades e de doçura e eu fui entendendo que estava na hora de voltar a olhar de forma mais centrada pra todas as coisas que eu havia deixado em stand by ainda grávida. Hoje em dia, desde o final do ano passado, tenho ajuda em alguns dias da semana e, com ela, a possibilidade de algumas horas livres por dia pra parar e olhar com calma pro caminho que desejo seguir. To super feliz com a nossa nova dinâmica, completa, e segura de que também passo esse sentimento pro Otto.

Existem grandes preconceitos na nossa sociedade no que diz respeito a amamentação. Conta um pouco do seu approach com esse departamento? A meu ver, muito mais grave do que esse preconceito é a desinformação. As maiores atrocidades que eu ouvi até hoje, em relação a esse assunto, foram ditas por bocas completamente desinformadas. Não poderia ser mais a favor de algo do que sou da amamentação. Tive a sorte de ser bem amparada e instruída nesse sentido, o que fez com que eu acreditasse na potência dessa relação entre mãe e filho com muito afinco. Hoje Otto têm 1 ano e seis meses e continua mamando. Sempre pratiquei a livre demanda, mas de uns tempos pra cá tenho mostrado a ele que existem outras formas de lidar com os sentimentos e necessidades dele, além de mamar. Assim, organicamente, estamos reduzindo aos poucos a quantidade de mamadas. Ainda pretendo seguir por um tempinho, mas sempre atenta ao que essa nossa relação está despertando em mim e nele. A amamentação precisa ser prazerosa pra nós dois, caso contrário, na minha visão, deixa de fazer tanto sentido – ainda mais agora que as necessidades nutricionais dele são atendidas por outras fontes e não só pelo leite.

Como foi o impacto de um filho pequeno no casamento? Qual dinâmica tem funcionado para vocês na hora de se conectar como homem e mulher? Nossa, GIGANTESCO, não é mesmo? Nossa vida muda completamente, o amor muda de forma, as prioridades, a maneira de encarar a vida, tudo! Um filho muda completamente toda a dinâmica do casal. Repito, TODA. Ao nascer um filho, nasce também um pai e uma mãe, então são três pessoas aprendendo uma nova vida, uma nova forma de viver, cheia de novos desafios. Neste caso, percebendo o que aconteceu na nossa organização familiar, e chego a conclusão de que nada melhor que o tempo pra dar às coisas seu devido espaço. É claro que sempre tivemos em mente que precisávamos estar atentos a nós dois, pra que nossa conexão não se perdesse nesse novo formato que estávamos encontrando pra nossa vida, porém, no início, com um turbilhão de coisas acontecendo, é inevitável que a relação acabe ficando um pouquinho de lado. O estar atento entra justamente nesse momento, permitindo entender o hiato que acontece na relação, mas sem deixar de se preocupar em segurar os laços que nos unem. Hoje em dia, nossa relação como marido e mulher encontra-se bem viva e, observando positivamente tudo que passamos, diria que ela ainda ganhou um plus pela admiração do parceiro também no papel de pai.

Você acha que a maternidade mudou a sua forma de encarar a carreira profissional? O que tem feito hoje e em qual direção tem vontade de crescer? A maternidade me mudou como um todo, transformou todos os aspectos de minha vida. A Monica que responde essas suas perguntas, com um filho de um ano e meio, é completamente diferente da Monica de alguns meses atrás. Me vejo mais segura, mais determinada e mais certa dos passos que quero tomar. As idéias que eram um emaranhado de coisas começam a desembaralhar e parece que tudo está mais claro. Eu, que cuidei do meu filho sem ajuda de uma profissional até o final do ano, agora entendo que chegou o momento de voltar a olhar pra minha própria persona. Entendi melhor ainda a necessidade de atender às minhas necessidades (também) profissionais e que, com isso, eu estarei mais feliz e, portanto, meu filho também. Têm muita beleza nesse processo e eu confesso estar em um momento bem feliz profissionalmente. Estou montando um escritório, que preferi chamar de “espaço criativo” e pretendo passar algumas horinhas do dia ali, bem focada no meu trabalho, pra quando estiver com o Otto, também estar bem focada nele. No final, a maternidade e o trabalho irão “render” mais, com certeza. Ainda é cedo pra falar mais, mas prometo que sairão coisas bem interessantes dali.

Qual a sua maior preocupação, seu ponto de maior atenção na criação do Otto? Estar atenta aos sinais e às necessidades dele, sem dúvidas. Jamais esquecer que meu lugar, além de ser o que segura a mão, também deve ser o de escuta. Eu confio na capacidade intelectual das crianças e acho que elas nos dão muitos indícios de qual caminho seguir. Se unirmos essa fala silenciosa deles à nossa intuição, já estamos com meio caminho andado. E assim, todos os outros pontos que devem ser observados e exigem cuidado já estarão bem amparados.

Em meio à tantos conselhos não desejados que recebemos, existe algum que hoje você agradeça? “Aproveite cada segundo, o tempo passa rápido demais”…bem clichê, mas muito, muito pertinente. Eu olho pra trás e percebo o tanto de coisas que já vivemos, ao mesmo tempo em que vejo as fotos e memórias dele recém nascido e a sensação é a de tudo aquilo ter acontecido ontem. Por uma benção da vida (a qual agradeço diariamente), pude estar com ele exclusivamente durante muito tempo. Eu confesso me emocionar toda vez que penso nisso.

fotos: Aline Ferreira / agradecimento: Hotel Emiliano

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  1. Julia, 28 de março de 2019 - 8:16

    Gabriela,
    Gosto muito dos seus textos e da sua forma de enxergar a vida. No entanto, confesso que fico um pouco incomodada com a não-observância às regras de crase nos textos. Os textos da Mônica têm a mesma característica.
    Um abraço.

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