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11 de maio de 2017Wellbeing

Slow living com Marina Costa

Acho que a essa altura todos os frequentadores desse blog (há! to metida achando que tenho frequentadores, rs) já devem conhecer a Marina. Seja pelo post do casamento dela, da identidade visual do meu casamento ou pelas mil e uma aparições no meu Instagram, hoje vocês vão entender um pouquinho melhor sobre o motivo dessa constante presença na minha vida. A verdade é que a Ma é aquela pessoa unanimidade que todo mundo quer um pedacinho. Apesar de já sermos amigas há um bom tempo, ela nunca perde uma oportunidade de me agradecer por todos os projetos profissionais que já tocamos juntas e não cansa de me surpreender com a sua incrível capacidade de reconhecimento, valorização, pesquisa e busca pela evolução. No site do seu atelier terrarosa (negócio mais lindo que tive o privilégio de ver nascer) ela resume bem a conclusão de um conflito que por muitas vezes dividimos: “Afinal, a vida é uma, não é fragmentada. O trabalho, as amizades, a busca por algo maior – quem é que divide tudo isso? A vida é a vida. Se conseguirmos achar o propósito em cada ação, em cada palavra e em cada movimento, tudo vira um caminho para o amor”. Como eu disse, coisa de gente especial de verdade. Esse post vai pra todos que buscam um pouquinho mais de honestidade, qualidade e equilíbrio em suas vidas. Pode vir que tá especial!

Em que momento da sua vida percebeu uma nescessidade de seguir num ritmo diferente daquele que nos é imposto?
Acho que desde sempre vivi em um ritmo um pouco fora do usual, quase como um ‘chip’ que já tivesse vindo comigo, rs. O que aconteceu foi que, a medida que fui crescendo e interagindo com o mundo, fui percebendo que algo me incomodava na correria, principalmente quando cheguei ao mundo do trabalho. O ritmo ‘normal’ das coisas batia de frente com tudo o que eu acreditava, não entendia porque deveria abdicar a vida pessoal pela profissional. Mas, até então, não era algo do qual eu tivesse consciência, não sabia que era deste descompasso que vinha o sentimento de não me encaixar. Achava que eu tinha algum problema, me culpava pelo fato de ter algo em mim que simplesmente não aceitava a correria incessante. A ficha começou a cair na minha última experiência de trabalho convencional, há 4 anos. Ao mesmo tempo em que questionava o significado da obrigação de trabalhar tantas horas por dia, comecei a encontrar cada vez mais histórias de pessoas que haviam mudado suas vidas para um ritmo mais calmo, e então entendi que eu tinha todo o direito de aspirar uma vida diferente, e que aquilo era possível. A partir disso, comecei a moldar minhas escolhas para que estivessem mais em sintonia com aquilo que estava dentro de mim há tanto tempo, mas nem eu sabia.

Qual o seu conceito de Slow Life?
Apesar dele evoluir constantemente, hoje acredito o conceito de ‘slow life’ ser, mais do que apenas levar uma vida calma ou vagarosa, basicamente ter equilíbrio e presença. Equilíbrio porque a vida é uma montanha russa, e tentar controlá-la é furada. Temos que saber parar, ter os momentos de calmaria e de introspecção, mas também saber passar pelos momentos em que é preciso ação. Ambos fazem parte do nosso aprendizado como seres humanos. Entender e aceitar isso de coração já é um grande feito! E é ai que entra a presença: se fazemos o que quer que seja estando por inteiro naquela tarefa, então ela será bem feita, e assim com muito mais espaço para enxergar amor e compaixão. Quantas vezes não passei dias calmos, mas fazendo tudo de qualquer jeito porque a cabeça não parava? Ou então dias super corridos mas que eu estava tão presente que tudo foi feito com cuidado? Então de fato, o conceito de ‘slow living’ tem que começar de dentro. O lado de fora ou como nossa vida se parece no instagram vai ser apenas uma consequência disso.

Como essa filosofia é aplicada na sua vida pessoal/social?
Seguir esse ‘slow life’ foi me fazendo enxergar as coisas através de um olhar mais livre, a partir do qual todos os aspectos da vida podem ser questionados. Acho que todo dia descubro em mim alguma ideia pré-estabelecida ou crença sobre algo, que estava me limitando. A consequência deste olhar diferente nem sempre vai ser encontrar uma resposta que o mundo rotule como ‘boa’ ou ‘ruim’, mas sim uma resposta que faça sentido para nós mesmos. Hoje me questiono muito mais sobre aquilo que consumo, sobre alimentação, sobre relações humanas, sobre o papel de redes sociais…a gente vai traçando o caminho de volta das coisas, até chegar na sua origem – pra então decidir se vale continuar carregando aquilo ou não. Acho que o ‘slow life’ na questão pessoal é um mergulho em nós mesmos. Se não for isso, vira apenas um board bonito do Pinterest.

E no trabalho? Como foi o processo de tentar achar um equilíbrio entre aquilo que acredita e o mundo comercial?
Ah, esta é uma busca eterna! Viver neste mundo sempre será contraditório e nunca vai existir perfeição, principalmente para pessoas sonhadoras como eu, rs. Mas meu trabalho é o combustível que incitou em mim as maiores mudanças e questionamentos da vida. É nessa equação extremamente complexa do ‘criar + se sustentar financeiramente’ que tenho as maiores dificuldades, e por isso mesmo, as maiores descobertas. Acredito que hoje tenha achado um certo equilíbrio principalmente por ter deixado de lado um monte de concepções que a gente tem sobre o que é trabalho, o que é produtividade e o que é sucesso. Tive que ir olhando (aliás, ainda olho) cada uma dessas coisas para entender os rumos que deveria tomar. Lembro do dia que entendi que se fizesse tudo igual a todo mundo, no tempo usual do mundo, não estaria contribuindo com o meu melhor. Foi uma liberação! Então decidi aplicar no meu trabalho tudo aquilo que meu coração mandava: mais tempo para criar, incluir mais processos feitos à mão, dar mais espaço para a relação com cada cliente. Fazer as pazes com a minha percepção de sucesso, que não está ligada à visibilidade nem montanhas de dinheiro, mas sim à trabalho bem feito, onde cliente e empresa se olhem no olho, se respeitem e se comuniquem. Morri de medo de não dar certo e de não ser compreendida, mas até isso foi ficando de lado quando compreendi que não precisava agradar à todos. E no final, o resultado de tomar esse risco tem sido mais do que positivo, porque as pessoas se identificam mais com o que faço.

Você é uma das minhas amigas mais prendadas e seguidora do Do It Yourself. Qual foi a coisa mais inusitada que se propôs a fazer sozinha e que deu certo.
Pois é adoro tudo que é feito a mão. Esses dias terminei minha primeira blusa de tricô, demorei um ano para conseguir esse feito! Mas às vezes exagero um pouco no DIY, então prefiro te contar aquilo que não deu certo, posso? Pra gente desmistificar essa coisa toda e entender que tem que ser de dentro pra fora. No Natal passado cismei que ia fazer presentes handmade para todo mundo. Imagina: final de ano sempre é aquela correria, e eu ainda querendo costurar calças de pijama para todo mundo da família. Resultado: eu, frustrada, descabelada e cansada, tive que desistir no meio do caminho e fui comprar tudo de ultima hora no shopping – a descrição do meu maior pesadelo (detesto presente comprado de qualquer jeito por obrigação). Moral da história: equilíbrio, sempre! A gente tem que saber abrir mão e reconhecer nossos próprios limites. Dessa forma, o que quer que seja feito, vale!

Acho a relação com a cozinha 100% coerente com a ideia do Slow Living, conta um pouco de como é isso pra você.
E é mesmo, acho que não tem como não passar pela questão da cozinha e da alimentação. Aliás, comida é algo que a gente coloca dentro da gente todo dia, como não pensar nessa relação tão profunda da nossa existência? Não sou do time das privações, como de tudo. Sou mais da linha de olhar a qualidade daquilo que se está comendo, no sentido de procedência, de como foi feito, ou de como foi produzido. Eu fui criada por uma mãe que sempre cozinhou, todos os dias, faça chuva ou faça sol. E por duas avós cozinheiras de mão cheia, e tias também. Quando morava na minha mãe não chegava nem perto da cozinha. Mas depois que me casei, comecei a colocar os genes de cozinheira em prática, experimentando receitas, inventando coisas. Gosto de saber que meu marido e eu vamos, pelo menos alguns dias da semana, comer a comidinha feita em casa por mim mesma. É um carinho, um prazer, e o mínimo que posso fazer para cuidar da gente. Fui cuidada pela minha família neste sentido, então quero que a família que estou formando também tenha essa experiência. Claro, ás vezes não dá tempo, e tudo bem também. Isso conversa muito com o conceito de ‘slow living’ pois a gente está dando significado para algo que pode cair no banal. Mas alimento é a energia que vai fazer a gente se mover, então quanto mais amor tiver nele, do começo ao fim, e para todos os envolvidos no processo (inclusive a natureza), melhor! Meu sonho ainda é ter um quintal de onde sairá tudo o que estiver na panela, cozinhar respeitando as estações e o que a terra decidir me dar. Enquanto isso não acontece, vou fazendo o que está ao meu alcance.

Você acha que as suas preferências estéticas também migraram junto a essa forma de encarar a vida?
Com certeza! Acho que tenho dado cada vez mais preferência para coisas mais clássicas, básicas, ou que me lembrem a natureza, que tragam conforto. Cores mais claras e apagadas, em contraponto com tons profundos. Tudo que dê uma ideia de tempo que passou, de perenidade, de coisas que serão para sempre especiais. Acho que são memórias afetivas aflorando, tenho sempre um pé no passado, num tempo onde tudo era menos complicado. Também tenho simplificado esta parte estética da vida mantendo apenas o essencial, aquilo que faz realmente sentido. Isso não quer dizer que tenha me tornado esteticamente minimalista, já que amo um romantismo, um floreio. Mas mesmo se tenho uma prateleira cheia de coisas, cada coisa que está lá tem um significado. Meu guarda-roupa também está ficando cada vez mais conciso e básico. Às vezes tenho vontade de doar 90% do que está lá e ficar com apenas algumas peças – vejo muita gente relatando ter feito isso e morro de vontade, mas ainda não consegui (apego demais, rs).

Descreva um dia perfeito.
Um dia perfeito para mim certamente envolveria um café da manhã com ovos (mexidos, cozidos, de qualquer jeito) na companhia de um livro (estou lendo a ‘Autobiografia de um Iogue’ do Yogananda – recomendo); uma caminhada em Monte Verde com meu amor; e uma meditação de agradecimento no pôr-do-sol.
Mas nem todos os dias são assim, e nem por isso deixam de ser perfeitos 🙂

Qual a receita do seu “bolinho de nada” delicioso?
1 xícara de chá de leite
2 xícaras de chá de açúcar (uso o cristal orgânico)
3 xícaras de chá de farinha de trigo
4 ovos caipiras (prefiro mil vezes aos de granja!)
(1, 2, 3, 4, até aqui é fácil de lembrar!)
200g de manteiga sem sal em temperatura ambiente (deixo fora da geladeira do dia pra noite)
2 colheres de chá de fermento em pó
1 pitada de sal
1 colher de chá de extrato de baunilha natural (dica: fica ótimo também com raspinhas de limão ou laranja!)

Pré-aqueça o forno à 180 graus;
Unte uma assadeira (gosto das que têm furo no meio, mais chance de assar por inteiro) com um pouco de manteiga e farinha;
Bata na batedeira a manteiga e o açúcar, até ficar um creme homogêneo e esbranquiçado (pode bater bastante!);
Enquanto isso, peneire juntos os secos: a farinha, o fermento e o sal;
Adicione os ovos um a um, batendo apenas para misturar a cada adição (às vezes fica com consistência de ter ‘talhado’, é normal);
Vá adicionando alternadamente os secos peneirados e o leite – um pouco de um, deixa bater até misturar, um pouco de outro, e assim vai até acabar. Atenção pra não bater demais nesta parte, é só pra misturar, assim o bolo fica bem macio;
Desligue a batedeira e adicione a baunilha (ou as raspas de limão), misturando uma última vez com uma espátula para garantir que está bem homogêneo;
Despeje a massa na assadeira untada e leve ao forno – a receita original pede 40 minutos mas os meus bolos assam bem lindos em 1 hora e pouco. Cada forno tem seu tempo, o segredo é ficar de olho, e quando estiver alto e com o topo corado, abra o forno e fure a massa com um palito de dente. Se sair limpo, está pronto! Sirva com cházinho e geléia e o dia já ficou mais feliz!

* fotos lindas da Flavia Valsani

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  1. Antonia, 11 de maio de 2017 - 21:45

    As duas super queridas!! Queria estar comendo esse bolinho delicioso nesse lugar lindo com com vocês 💙

    • Gabriella Magalhães, 12 de maio de 2017 - 8:38

      Oiinn, vem com a gente!!! Já pensou baby W participando dessas fotos?! De qualquer forma, vou me aventurar com essa receita da Ma na cozinha! Se der certo vou te chamar pra comer aqui comigo!

  2. Nara Brito Barro, 11 de maio de 2017 - 21:53

    Gabriella, suas mídias têm muito amor e suavidade! Para mim é como um suspiro no meio do caos! Me faz ter mais calma, e ver a delicadeza e beleza dos momentos que vivo ao redor! Eu paro e começo a analisar tudo isso que você vê ao meu redor! Sua fase atual de introspeção tem sido bela! Gratidão pelo bom gosto e humanidade! Muito inspirador para mim! Parabéns pelo baby! Beijos.

  3. Gabriella Magalhães, 12 de maio de 2017 - 8:48

    Nara, seu comentário me fez acordar ainda mais suave e sorrindo…A minha ideia com o Bedside é a de dividir coisas que também me trazem mais calma e encanto pro dia-a-dia portanto, saber que esse objetivo também consegue ser atingido aí fora, e ainda através de pessoas que eu nem conheço pessoalmente, é gratificante demais. Obrigada por entender e me dar essa força em forma de carinho! ♥

  4. Giovanna Borgh, 12 de maio de 2017 - 16:26

    Como não amar a Marina mesmo conhecendo pouco? Ela é pura inspiração ! Mal dá para acreditar que ela mora em São Paulo coom toda esta leveza de ser!
    Eu tenho muito à agradecer a ela que uniu com sua percepção aguçada você a mim, em forma de cliente e criação, me trazendo uma das experiências mais legais desta minha carreira no mundo dos casamentos… Ela trouxe confiança a nós duas, foi a mediadora de nossas questões e esteve sempre em meus pensamentos neste projeto. Viu? Ela é tipo um anjo de inspiração! Marina, continue asim! é difícil e pode ser até estressante viver o slow living hoje, mas você é uma das pessoas que pode mudar o mundo com seus pensamentos e plantar ideias melhores, nem que sejam para a sua próxima geração! Fique leve!

    • Marina Costa, 13 de maio de 2017 - 12:11

      Querida Giovanna, primeiro de tudo: acho que a gente tinha que se conhecer de verdade né? Rs
      Apenas pelo fato de existirem pessoas como você neste mundão, já faz com que essa jornada seja mais leve, faz com que tudo isso tome uma proporção muito maior e muito mais profunda. Você e a sua delicadeza de ser e de olhar são uma enorme contribuição para a gente fazer o mundo lembrar daquilo que realmente importa. Não sei se você sabia, mas o seu foi um dos primeiros trabalhos que abriu meus olhos para entender o que a criação poderia ser, como ela poderia carregar um mensagem dessas que a gente não consegue por em palavras. Um dia descobri que assumir essa busca por viver com mais calma era a minha contribuição pro mundo. E agora você, com toda a sua sensibilidade e fechando o círculo desse vai e volta de inspirações, resumiu essa missão em apenas algumas palavras. Então só posso dizer obrigada do fundo do meu coração, por fazer parte disso tudo…
      E sobre unir você à querida Gabi, um amigo muito querido sempre diz: “o Universo une quem vibra na mesma frequência”… então fico feliz de ter sido a mera condutora dessa energia linda que todas nós dividimos <3

      • Giovanna Borgh, 23 de maio de 2017 - 19:21

        Meu Deus! Meu Deus!! Eu nunca imaginaria (apesar de ser a coisa que mais guia meus dias e pedidos) inspirar você assim!!! Porque você me inspira assim também, eu te inspiro de volta e assim a gente vai deixando umas coisas inspiradoras no mundo e vivendo mais feliz! <3 Realmente, precisamos promover nossas conversas à realidade que nos cerca! <3

  5. Monica Benini Lima, 15 de maio de 2017 - 19:37

    Duas lindas, pessoas que flutuam levando suas almas leves pra colorir esse mundo… que delícia ler esse post, compartilhar desses pensamentos e ver tanta beleza e sutileza brotar de forma tão natural. Vocês são LUZ!

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